Links patrocinados não são as únicas opções de marketing

Links patrocinados não são as únicas opções de marketing

Links patrocinados não são as únicas opções de marketingExiste um certo frisson em relação a links patrocinados no Brasil. Parece que sem Google AdWords, Facebook Ads ou mais recentemente LinkedIn Ads não há como obter sucesso em qualquer iniciativa online.

A mídia paga é colocada como a fada madrinha do marketing. Ela pode, mediante um determinado pagamento, é claro, tirar um site do ostracismo e transformá-lo em um grande sucesso nas páginas de respostas do Google ou então nas interfaces de mídias sociais.

No e-commerce então, parece que uma loja não consegue sobreviver se não investir maciçamente em mídia paga. Estratégias de muito maior potencial de conversão, como SEO, e-mail marketing e marketing de relacionamento, são deixadas de lado e os recursos são todos, ou em sua grande maioria, alocados para os links patrocinados.

O resultado é que se cria uma dependência absurda desse tipo de mídia e aumenta-se absurdamente o grau de exposição ao risco do negócio, em uma atitude que pode ser fatal para o futuro da empresa.

Para piorar a situação, em função de custos ascendentes, os links patrocinados acabam por minar gradativamente a matriz de custos e reduzir as margens do negócio. Resumindo, uma verdadeira visão do inferno.

O erro é estratégico

Essa verdadeira obsessão por links patrocinados reside no fato de que a estratégia do negócio está mal orientada. No caso do e-commerce, incutiu-se na cabeça dos novos empresários, que a única meta do marketing deve ser a aquisição de novos clientes.

Com isso outras ações igualmente importantes, como o atendimento pós venda e outras importantes estratégias de fidelização de clientes, são esquecidas ou então relegadas a um segundo plano.

Em nosso curso sobre criação de lojas virtuais, costumo dizer que vender pela primeira vez para alguém é fácil. Difícil é fazer essa pessoa comprar de novo.

Fidelizar é muito mais barato

Um dos conceitos mais antigos da teoria econômica diz que a criação da riqueza se dá em duas etapas, a de Aquisição e Retenção. Guerras e processos de colonização tiveram essa orientação. Marcas de sucesso também foram construídas sobre estes pilares.

No marketing digital, e em especial, no comércio eletrônico, esse conceito parece que foi esquecido. As lojas virtuais se engalfinham em uma guerra de lances insana no AdWords, como se a aquisição de novos clientes fosse o único caminho para o sucesso no e-commerce.

As pesquisas mostram que um cliente fiel tem um potencial de conversão infinitamente maior do que os Newcomers conquistados a peso de ouro através de links patrocinados. Os clientes fiéis visitam a loja regularmente, possuem um ticket médio maior e são advogados da marca.

Para comprovar essa afirmação, basta que você crie uma segmentação avançada no Google Analytics e comparar as métricas e KPIs dos dois grupos. Garanto que irá ficar espantado com a diferença entre os dois.

Não estou falando em abandonar as ações que buscam conquistar novos clientes, mas sim, se preocupar mais com a etapa de Retenção e não ficar obcecado com a Aquisição.

A conta vai ficar mais cara

Nos treinamentos que ministro na área de marketing digital, ao abordar a questão dos links patrocinados, sempre chamo atenção para a espiral ascendente dos custos de links pagos.

Se levarmos em consideração que menos de 15% dos pequenos e médios empresários brasileiros possuem uma presença eficiente no mundo online, temos um cenário futuro de grande expansão, e consequentemente competição neste segmento.

Ora, se os links patrocinados trabalham em um sistema de leilão, é fácil concluir que quando a parcela do empresariado que ainda está de fora do mercado online resolver entrar, os preços pagos por estes links irão explodir!

Se o empreendedor digital não aprender a trabalhar com outras táticas como programas de fidelização, SEO, e-mail marketing e todas as outras opções de ferramentas do marketing online, em bem pouco tempo, estará em maus lençóis.

A curva de aprendizados destas ferramentas é longa e se as marcas não começarem a investir maciçamente nestas opções, se tornarão reféns da situação.

Diferenciando-se no marketing

Há algum tempo escrevi sobre a Estratégia do Oceano Azul no E-commerce e comentei que o sucesso de uma loja virtual estava justamente em uma estratégia diferenciada e inovadora. Uma sugestão para isso é justamente inverter essa tendência dominante da aquisição de clientes através de mídia paga.

O raciocínio é simples. Se a maioria das lojas virtuais está se engalfinhando nos leilões de palavras-chave do AdWords, por que não se diferenciar e focar sua estratégia em outros canais? Não se trata de uma proposta inovadora, pois a Zappos fez história dessa forma, mas aqui no Brasil é bem raro vermos empresas partindo para essa opção.

Uma das melhores situações de qualquer negócio é justamente sua independência. Se você quiser manter o controle da situação em seu negócio, uma das formas é não se tornar um verdadeiro viciado em links patrocinados ou outras mídias pagas e buscar alternativas em outros canais.

Publicado originalmente no Blog da Academia do Marketing

Alternativas para o uso de links patrocinados
Obrigado!