Perfis falsos nas redes sociais são mais reais do que você imagina

A questão dos perfis falsos nas redes sociais vem se tornando o foco de diversas discussões. Será que todo mundo que você segue existe mesmo?

Na Espanha, o dono de uma empresa especializada na criação de perfis falsos nas redes sociais fala abertamente sobre o negócio. A empresa administra mais de 500 contas falsas, uma das quais soma já meio milhão de seguidores, e garante que tudo o que faz é legal.

Alguns destes perfis nas redes sociais possuem milhares de seguidores, recomendam restaurantes e roupas, interagem com os fãs. Agem como se fossem verdadeiras celebridades, mas, na realidade, não existem.

Segundo o jornal El País Retina, há perfis falsos nas redes sociais, que são alimentados com conteúdos e interações, com o objetivo de atingirem o status de Digital Influencers, para depois serem usados para diferentes fins, entre os quais para promover marcas.

Há um escritório no centro de Saragoça, em Espanha, onde, de acordo com o jornal espanhol, um grupo de jovens trabalha diariamente para gerir contas nas redes sociais de pessoas que não existem: um empresário cinquentão de Miami, uma atriz espanhola deslumbrante que se movimenta entre a alta sociedade mexicana, entre centenas de outras.

Tal como as celebridades do mundo real, estes perfis são seguidos por milhares de pessoas, recomendam lingerie, roupas caras e restaurantes. Os fãs escrevem-lhes mensagens e, por vezes, até se apaixonam. Mas é tudo falso.

Idoya Barrabés, chefe da equipe que gerencia as contas falsas na agência de marketing digital 3lemon, conta que muitos desses perfis recebem mais felicitações nos aniversários do que as verdadeiras figuras públicas.

Crescem as preocupações com os perfis falsos nas redes sociais

A proliferação de perfis falsos em redes como o Facebook, o Twitter ou o Instagram tem vindo ser associada ao aumento do ódio e da desinformação em diversos países, como no caso do Brasil.

Nas eleições de 2018, por exemplo, perfis mal intencionados espalharam Fake News durante as campanha, ou então se faziam passar por outra pessoa, fazia parte da estratégia de diversos candidatos.

É importante deixar claro que esta não é a intenção neste caso que abordamos aqui, já que não há qualquer tipo de apropriação de dados pessoais em uma determinada rede social. O objetivo aqui é usar os perfis falsos como ferramentas de marketing nas redes sociais.

Fernando Monzón, o homem que comanda o escritório em Saragoça, garante, no entanto, que as personagens que cria não fazem mal. Chama-lhes kabukis, uma forma clássica de teatro japonês, na qual os homens se disfarçam para interpretar mulheres.

Segundo o El País Retina, os perfis criados pela empresa são bastante mais evoluídos do que os bots, que agem automaticamente seguindo pessoas e marcas, e em alguns casos interagindo de forma simples com estes perfis e páginas.

Estes perfis, segundo Fernando Monzón, são facilmente detectados, enquanto os kabukis são controlados por humanos, não se distinguem das contas reais e, por isso, não são banidos das redes sociais, já que os termos de uso delas geralmente proíbem este tipo de presença.

Do jeito que a coisa é feita, fica muito difícil identificar um perfil falso e existem alguns kabukis que, segundo o seu criador, já mantiveram discussões com políticos e líderes de opinião, o que lhes “dá credibilidade”.

Na base da criação de perfis falsos está o fato de ser mais barato para as empresas contratar um ator que empreste a sua imagem e dar-lhe uma reputação do que pagar pelos serviços de um Influencer, que não será tão maleável e irá impor as suas condições.

Perfis fake nas redes sociais

Perfis fake altamente organizados

Para o desenvolvimento dos perfis fakes, é necessário fazer sessões fotográficas com um modelo que ostenta o tipo de vida que supostamente leva, escrever comentários e interagir com outros perfis, principalmente com outros kabukis.

As contas dos chamados “pata negra”, por exemplo, têm como objetivo a venda de produtos de luxo e são usados por empresas que querem atingir um determinado número de seguidores.

Desta forma, conseguem chegar a milhares de perfis segmentados, como pessoas de classe média e alta, o que lhe dá mais hipóteses de venderem os seus produtos.

No total, a empresa faz a gestão de aproximadamente 500 perfis falsos nas redes sociais. Sem revelar os nomes, por motivos óbvios, o El País diz que existem kabukis com meio milhão de seguidores nas redes sociais.

Entre os vários departamentos da empresa, há quem se dedique a criar memes, vídeos e textos para ir alimentando as contas, que obedecem a regras bem definidas. Cada membro da equipe, responsável por um determinado número de perfis, sabe o que pode ou não dizer.

Um outro departamento, denominado internamento como “escuta ativa”, analisa o que se diz na internet sobre as marcas, usando depois os kabukis para neutralizar o que de negativo circula na web sobre as mesmas evitando assim a chance de surgimento de uma crise nas redes sociais.

De acordo com o empresário, o trabalho que desenvolve é legal: “Fazemos perfis de ficção. Não manipulamos endereços de IP nem nada parecido. Algumas pessoas nos criticam dizendo que enganamos porque o que contamos é falso. Alguém acha que o Super-Homem voa mesmo como se vê nos filmes?”

Mas nem todas as pessoas compartilham desta opinião. Responsáveis de outras empresas de marketing ouvidos pelo diário espanhol criticam esta prática.

E você? O que acha da atuação de perfis falsos nas redes sociais? Acha esta prática correta? Deixe o seu comentário e assine a minha Newsletter.

Fonte: Guia do Marketing

Perfis falsos nas redes sociais
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Há mais de 16 anos trabalho com marketing digital e comércio eletrônico, duas das minhas paixões profissionais. Iniciei minha carreira online nos idos de 2001, trabalhando com o desenvolvimento de sites e em minha jornada profissional acabei me envolvendo com o marketing digital, que hoje em dia é minha atividade principal, como consultor, professor em cursos especializados e palestrante. Atualmente trabalho como diretor técnico e educacional da Academia do Marketing e Curso de E-commerce, duas escolas especializadas que ajudei a fundar e que tenho o prazer de ajudar em seu desenvolvimento. Além disso, trabalho também como consultor nas áreas do marketing digital e comércio eletrônico nestas duas empresas, desenvolvendo, implementando e monitorando projetos nestas duas áreas, para um seleto grupo de clientes.

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