Marketing político digital não é pipoca de micro ondas

Engraçado como alguns candidatos realmente acreditam que marketing político digital é como se fosse pipoca de micro ondas. Basta apertar um botão e em dois minutos está pronto.

Cuidam de todos os aspectos da campanha física e deixam o ambiente digital para o final, acreditando que, como tudo na Internet é instantâneos, uma campanha eleitoras também é. Se você é um dos que acredita nisso, tenho uma péssima notícia e ótimo aviso: Não é!

Separando o joio do trigo

Em primeiro lugar, vamos determinar exatamente sobre o que estamos falando. Quando falo de marketing político digital estou me referindo a campanhas bem organizadas, com segmentação e interação. Não estou falando de perfis em redes sociais tratados como verdadeiros santinhos digitais, que além de não conquistarem votos, acabam enchendo o saco dos internautas e até mesmo gerando certa antipatia.

Em ano de eleição aparecer diversos “gurus do marketing político digital” dizendo-se capazes de em questão de dias transformas um ilustre desconhecido em um verdadeiro Barack Obama nas redes sociais. Só para deixar claro e poupar tempo: Isso não existe!

Uma campanha de marketing político digital de verdade exige tempo de maturação, já que é alicerçada em relacionamentos e diálogos e ninguém cria laços de relacionamento da noite para o dia.

Planejamento de campanha é essencial

Marketing político digital não é pipoca de micro ondas
Marketing político digital não é pipoca de micro ondas
O primeiro passo para uma campanha de marketing político eleitoral na Internet bem sucedida está no planejamento estratégico. Sem ele, melhor esquecer o resto e guardar o dinheiro para ficar distribuindo santinhos pelas esquinas. Faz mais sentido.

É preciso determinar em primeiro lugar, o perfil do eleitorado que se pretende atingir: idade, sexo, renda, localização, gostos e preferências. Feito isso, partimos então para a definição de objetivos e determinação das estratégias e mídias que deverão ser usadas.

Eu, particularmente não gosto de estabelecer prazo para essa etapa de uma campanha de marketing político na Internet por envolver muitas variáveis, mas acredito que um projeto sério e bem fundamentado não possa ser feito em menos de uma semana.

A criação da estrutura leva tempo

Vejamos as ferramentas digitais que precisam ser criadas e configuradas

  • Blog do Candidato – Esse é o hub de toda campanha, área principal para publicação de conteúdo. Podemos estimar em dois dias a criação e configuração do blog usando uma plataforma WordPress. Esse prazo está levando em consideração um ótimo profissional nessa área, paga a peso de ouro, principalmente nessa época eleitoral.
  • SEO e Analytics – Depois de criado o blog com fins eleitorais, precisamos configurar as ferramentas acessórias de SEO – Otimização de Sites Para Ferramentas de Busca, para conseguirmos uma boa exposição nos buscadores e um bom tráfego para o blog. Além disso, é necessário fazer a instalação e configuração da ferramenta de monitoramento de tráfego, como o Google Analytics, por exemplo.
  • Página no Facebook – Essa então não pode faltar. Com a penetração que o Facebook tem atualmente no Brasil, ficar fora dele é suicídio. Uma página bem estruturada, com aplicativos e tudo mais, criada por um verdadeiro profissional de Facebook Marketing irá consumir uns dois dias de trabalho.
  • Perfil no Twitter – Também essencial para qualquer campanha. Irá funcionar como um amplificador das publicações do blog. O marketing político no Twitter é atualmente peça imprescindível para conseguir um alcance rápido e barato para as ações, tanto no mundo físico quanto digital. Um dia é uma boa aposta em termos de tempo de execução.
  • Instagram – Se o seu público-alvo inclui um percentual elevado de mulheres, principalmente das classes A e B, um perfil no Instagram é muito bem vindo.
  • Canal no YouTube – Esse também é relativamente tranquilo de ser criado. Na mão de um bom profissional de marketing digital é tarefa que dura no máximo seis horas. Uma ferramenta incrível, pois pode se transformar na sua rede de TV particular.
  • Monitoramento de Redes Sociais – Com um blog, Facebook, Twitter e YouTube em ação, precisaremos de uma ferramenta de monitoramento de redes sociais para vigiarmos o que acontece nas redes sociais e o resultado de nossas ações nesses canais. Um profissional familiarizado com estas ferramentas consegue realizar essa tarefa em um dia de trabalho.
  • Mailling – Outra ferramenta que não pode faltar em uma campanha eleitoral pela Internet. Existem diversos sistemas prontos para estruturar a base de dados, o que torna a função bem mais simples. Não podemos deixar de falar na questão do Opt-In obrigatório para esse tipo de ação. Se bobear, vem multa pesada.

Ufa! Afinal de contas, não é tanto tempo assim, concorda? Do ponto de vista de criação das plataformas sim, mas do ponto de vista de conteúdo, a história é outra.

A importância do conteúdo

De nada adianta criar todos estes canais de comunicação se você não tiver conteúdo relevante e bem estruturado para criar um ambiente de relacionamento e interação com o eleitorado. Esse conteúdo é certamente a etapa que consumirá maior tempo.

Em primeiro lugar precisamos preparar o material de base que será inserido inicialmente no blog eleitoral. Se o candidato já tem um site ou blog ativo, melhor, pois sempre dá para aproveitar alguma coisa. Se o candidato não tem material algum, será preciso criar um conteúdo realmente interessante que desperte o interesse do público. Lembre-se, conteúdo interessante é qualquer coisa menos matérias de auto idolatria. Deu pra entender?

O segundo passo é determinar a linha que será adotada durante a campanha e escolher os responsáveis pela cobertura jornalística e editorial. Meu conselho é que a curadoria de conteúdo seja levada a extremos, para não incorrer no erro de publicar um material que não acrescente nada a discussão, como já andamos vendo por ai.

Outra coisa muito importante é ser responsável em relação ao conteúdo publicado. Uma das grandes diferenças entre o marketing político digital e o convencional, é que ele deixa rastros indeléveis, que são armazenados em discos rígidos para serem lembrados mais tarde. Não são como santinhos de papel que se desfazer no asfalto assim que cai uma chuva mais forte.

Lembre-se da promessa de creches negada pela presidenta Dilma ano passado. Não demorou nem duas horas para encontrarem o arquivo com a gravação da promessa feita em um programa de rádio.

Interação é fundamental

Se você está pensando em criar perfis nas redes sociais para usá-los de forma unidirecional como se fossem palanques eletrônicos, esqueça. Não funciona.  Ninguém vai para as redes sociais para ficar ouvindo as suas propostas e pronto. As pessoas querem dialogar e interagir com o candidato. As mídias sociais não funcionam como um comício, mas sim como uma conversa.

O eleitorado é composto por pessoas e elas só se sentem seguras quando conseguem interagir com outras pessoas. Portanto, é aconselhável que os senhores candidatos desçam de seus pedestais e comecem a fazer uma coisa fundamental para ser eleito e principalmente compreender os anseios da sociedade, que é falar com o povo, conhecer as necessidades do eleitorado.

Como vocês podem ver, marketing político digital não é como pipoca de micro ondas, uma coisa instantânea que se pode deixar para o final do planejamento de campanha. Para fazer marketing político digital de verdade é preciso planejamento, estrutura, capacitação técnica e muita seriedade, tanto com o trabalho quanto com o eleitor. #FicaADica

Marketing político digital não é pipoca
Obrigado!