Manifestações de 16 de agosto e a prova social

Manifestações de 16 de agosto e a prova social

As manifestações de 16 de agosto prometem se tornar um marco no processo de desgaste do governo Dilma e também um case de como a prova social pode influenciar no desenrolar de uma situação política.

Ao contrário dos movimentos de 15 de março e 12 de abril, as manifestações de 16 de agosto terão uma bandeira clara e definida, o impechment da presidente Dilma. A falta de uma proposta, talvez tenha sido o grande erro da organização das manifestações anteriores, pois muita gente não via sentido em sair às ruas sem ter um argumento muito claro.

Agora a situação é bem diferente. O motivo da manifestação é bem claro e objetivo e isso tende a dar uma força maior em termos de mobilização. Somando-se a isso, temos uma situação econômica que já leva muitas famílias ao desespero e uma situação política que pode ser comparada a um martírio sem fim.

Até mesmo o maior partido da oposição, o PSDB, que andava bastante arredio em termos de apoio aos atos públicos, já declarou que irá apoiar as manifestações contra o governo, apesar de não ter abraçado ainda a tese do impechment.

Embora a campanha pelas manifestações de 16 de agosto ainda esteja relativamente fria nas redes sociais, ela deverá receber um impulso muito grande a partir do dia 6 de agosto, quando, em uma infeliz decisão, a presidente Dilma participará do programa nacional do PT.

A hora de falar e a hora de calar

A decisão da presidente Dilma não poderia ser mais inoportuna. Ela é que deu o timming para o crescimento da campanha de divulgação das manifestações de 16 de agosto nas redes sociais, e de quebra, irá engrossar o contingente de pessoas nas ruas.

Manifestações de 16 de agosto e a prova socialTenho cá minhas dúvidas se João Santana, o marqueteiro da presidente Dilma Rousseff aprovou a participação dela no programa. Ele, como profissional experiente, sabe muito bem que existe hora para falar e hora para calar. O problema é que a impetuosidade da presidente ignora as questões técnicas e acaba colocando tudo a perder.

Esse é um problema muito comum em campanhas políticas, principalmente quando se trata de marketing político nas mídias sociais. Muitos candidatos, movidos por emoções que cegam a racionalidade, acabam fazendo desabafos ou respondendo a acusações nas redes sociais, sem pensar na repercussão de seus atos e medir as palavras. O resultado geralmente é um grande desastre.

O fato é que se espera o maior panelaço da história durante a participação da presidente no programa eleitoral do PT, a exemplo do que se viu em suas últimas aparições em rede nacional. Isso irá desgastar ainda mais a já combalida imagem da presidente e dará um fôlego extra para as manifestações de 16 de agosto.

A Prova Social no marketing político

É natural do ser humano, querer fazer parte de um coletivo, contar com a aceitação de um grupo social e se sentir fazendo parte dele.

É o que em marketing digital chamamos de Prova Social. Essa é uma estratégia que usamos com frequência em campanhas de marketing nas mídias sociais e outras peças publicitárias.

Depois do panelaço que é esperado, é natural que muitos cidadãos, que ainda estavam indecisos sobre a conveniência ou não do pedido de impechment da presidente, para fazerem parte do coletivo, expresso pelo ensurdecedor bater de panelas que é esperado, passem a apoiar de forma incondicional a ideia.

O panelaço servirá como a Prova Social que muitos estavam esperando para se engajar definitivamente no movimento, o que pode dar a ele, proporções maiores do que as vistas na famosa manifestação dos Caras-Pintadas, que impulsionou de vez o movimento pela saída do ex-presidente Collor em 1992.

A participação de Dilma no programa é uma questão de marketing simples. A palavra de ordem no momento é “agregar valor”, e neste caso, ela simplesmente não irá agregar valor algum, muito pelo contrário, vai desgastar ainda mais a combalida imagem do “produto chamado PT”.

Em resumo, se a intenção da presidente, com a participação no programa eleitoral do PT, era melhorar sua imagem ou a do partido, não vai funcionar. Muito pelo contrário, vai piorar ainda mais gerando mais alguns pontos de rejeição e funcionando como lenha para a fogueira dos protestos antigovernamentais.

Publicado originalmente no portal Eleitor Online

Manifestações de 16 de agosto
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