Efeitos da crise europeia no marketing digital brasileiro

Não há dúvidas que a crise européia está cada vez pior e que corre o grande risco de se espalhar pelo mundo, mas como isso afetará o marketing digital brasileiro? De muitas formas, algumas realmente davastadoras e outras que trarão uma certa evolução no processo de amadurecimento do web marketing brasileiro.

A crise mundial terá reflexos distintos entre os diversos setores do marketing digital, favorecendo alguns e prejudicando o desempenho de outros, mas a boa notícia disso tudo é que no momento de recuperação, teremos um ambiente mais sofisticado e profissionalizado no Brasil.

Em uma reunião estratégica em nossa consultoria, discutimos o WCS – Worst Case Scenário, uma visão do “fim do mundo” para o marketing online brasileiro em função da crise que iremos passar nos próximos meses e abaixo trago nossa visão sobre os efeitos da crise mundial sobre o marketing digital brasileiro.

Não se assuste, pois no final, os melhores sempre sobrevivem. É assim na natureza e nos negócios também.

A crise econômica européia deverá trazer sérias consequências para o marketing digital

A crise na Europa trará o aprimoramento do marketing digital brasileiro

Como em função da crise a verba publicitária será drasticamente reduzida, pois este é o padrão insano e cego do empresariado brasileiro, haverá uma demanda maior por resultados e não apenas exposição como vemos atualmente. Isso significa que os contratos com remuneração baseada em veiculação deverão ser substituídos por contratos baseados em resultados em termos de incremento nas taxas de conversão, sejam elas quais forem.

As agências digitais que, por comodismo ou falta de visão, se acostumaram a ter sua receita baseada em um percentual do faturamento de veiculação estarão em maus lençóis. Os clientes, mais esclarecidos em função do amadurecimento do mercado nacional, passarão e exigir contratos baseados em ROI, e isso muda completamente o cenário.

Boletos e faturas deixarão de ser balizadores de remuneração, saindo de cena para dar lugar a siglas como ROI, CPC, CPA e outras que expressam realmente a competência e capacidade técnicas das equipes de marketing. Será um momento de separação do joio do trigo.

Queda vertiginosa no CPC em links patrocinados

Apesar da alta assustadora que temos experimentado nos últimos dois anos no valor do CPC no Brasil, deveremos passar por um momento de queda vertiginosa nos preços em função da retração da base de anunciantes e a consequente disputa por espaços privilegiados a área de links patrocinados das SERPs.

Será um efeito parecido com o que houve nos Facebook Ads após o boom dos sites de compras coletivas por aqui.

Muitos empresários optaram por investir em links patrocinados em suas primeiras incursões no marketing online, em detrimento da otimização de seus sites para a busca orgânica. Com a alta dos valores do CPC nos últimos 24 meses e a perspectiva de faturamento menor nos próximos, a tendência é que muitos deles se retirem do mercado (e da exposição também) e com isso o CPC deverá sofrer uma forte baixa.

Não é atoa que as ações do Google estão com uma formação de preços muito parecida com a apresentada às vésperas da crise de 2008 conforme demonstrado no gráfico abaixo. Coincidência? Não, é só outra crise mesmo. Para quem gosta da Teoria das Ondas de Elliott, trata-se do início de uma baita de uma correção.

Gráfico de preços das ações do Google

Programas de afiliados pagarão bem menos

Essa será uma consequência do item anterior. Todo blogueiro sabe que quando venta na economia se abate uma grande tempestade na receita de blogs monetizados através de programas de afiliados em função da redução de investimentos por parte dos anunciantes. Dessa vez não será diferente.

A solução para os blogueiros será diversificar os programas de afiliados buscando os que forem mais intimamente ligados ao seu nicho de mercado. Para os sites de alto tráfego, a remuneração por CPM deverá ser mais indicada do que a remuneração por clique ou CPA. Em suma, serão tempos difíceis, mas que certamente aprimorarão as técnicas dos blogueiros que se dedicarem a enfrentar o desafio.

Marketing de busca em alta mesmo durante a crise

Outro segmento do marketing digital que se beneficiará da crise mundial será o do SEO. Com o corte drástico na verba para links patrocinados, a otimização de sites para ferramentas de busca assumirá lugar de destaque ainda maior nas estratégias de marketing online e finalmente se consolidará como estratégia de divulgação mais estável no marketing digital.

As empresas que estiverem fortemente ancoradas em marketing de busca pago, os links patrocinados, terão sérias dificuldades em manter sua exposição nas ferramentas de busca, mesmo com a redução do CPC, e certamente irão experimentar uma drástica redução do faturamento proveniente deste canal.

Migração mais intensa da mídia paga para mídia conquistada

Outro reflexo provável da crise europeia sobre o marketing digital será a migração ainda maior da mídia paga para a mídia conquistada, principalmente na área das mídias sociais. O marketing nas redes sociais terá lugar de destaque nessa transição já que mesmo sendo uma estratégia de longo prazo, é a que oferece maior relação custo benefício depois do SEO no segmento do marketing de busca.

A explicação é fácil. Assim como na crise de 2008, as pessoas, vivendo um momento de contingenciamento de despesas tenderão a passar mais tempo na Internet e consequentemente a exposição nas redes sociais. Com isso, o marketing boca a boca nas mídias sociais ganhará ainda mais importância no marketing digital.

Conclusão

O cenário parece assustador, mas nada mais é do que a boa e velha regra de seleção de Darwing. A serem convirmadas as perspectivas adversas para a economia mundial, teremos meses bem difíceis, mas ao final, o sistema sairá purificado e os sobreviventes ainda mais fortes. A solução para o problema? Investir cada vez mais em capacitação de pessoal para aguentar os momentos difíceis e sair por cima ao final da crise.

Efeitos da crise europeia no marketing digital brasileiro
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